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Pânico

Edázima Aidar

O Transtorno do Pânico tem afetado grande número de pessoas, causando enorme mal estar.
Uma de suas características, é que ele surge de maneira súbita e inesperada provocando sensação de horror e desestruturação psíquica.
Enquanto na fobia, há o medo de um determinado objeto ou uma situação especifica, no pânico, o que assusta são as reações vindas do próprio corpo.
A pessoa não consegue detectar do que tem medo, porém sente a nítida impressão de estar morrendo.
Os indivíduos acometidos de ataque de pânico, acabam sofrendo ainda mais com receio de que a crise possa retornar.
Esse fato faz com que sua vida se torne cada vez mais restrita e limitada, podendo resultar em isolamento e desistência dos projetos de vida.
Qualquer alteração nas sensações corporais, é sinal do inicio de uma nova crise.
Alguns dos critérios propostos pelo D.S.M – IV (Manual de Diagnóstico e Estatistico dos Transtornos Mentais) para diagnosticar o pânico são: sensação de falta de ar ou sufocamento; medo de perder o controle ou ficar louco; taquicardia; tontura; sensação de estar morrendo; despersonalização.
Essas reações se constituem numa espécie de defesa ante um perigo ausente, isto é, imaginário.
No momento da crise, a angústia invade a pessoa como uma onda diante qual ela sucumbe.
Por mais que ela tente se controlar, é levada por um estado de medo que a paralisa. Fica tomada por uma sensação de horror, como se algo trágico estivesse por acontecer.
Infelizmente, ainda hoje existe o preconceito que encara esses sintomas como uma maneira de chamar atenção, visto que, os exames clínicos nada confirmam de errado com o corpo. 
Por este motivo, torna-se importante a conscientização de que  se trata de um sofrimento que, embora seja imaginário, para a pessoa é sentido como  real naquele momento.
Quando o pânico aparece, ele vem denunciar que o emocional está em desequilíbrio.
A vida a partir daí pode ficar comprometida e as atividades sociais e no trabalho tolhidas pelo medo.
Este é momento adequado de se buscar ajuda profissional.
Porém, no mundo imediatista em que vivemos, ainda são muitos os que anseiam por tratamentos que tragam respostas rápidas e alivio imediato.
Diante do desespero querem encontrar um remédio, uma fórmula mágica que possa eliminar o sofrimento.
Os psicofármacos têm seu lugar e importância no tratamento do pânico. Porém se faz necessário nortear seu uso, visto que, a pessoa pode se acomodar tomando o remédio, sem querer saber, o que seu sintoma está querendo dizer sobre ela mesma.
Desta forma a “angustia”, ao invés de ser questionada, vira apenas objeto de medicação.
O ideal portanto, é a utilização de medicamentos, paralelamente ao tratamento psicanalítico.
Para a psicanálise, a angustia traz uma mensagem que precisa ser ouvida.
Nós psicanalistas em nosso trabalho, levamos em conta que o visível das sensações corporais, encobre o invisível do mundo emocional.
O corpo apenas é emprestado como veiculo portador de conteúdos psíquicos.
A sensação de estranhamento que invade a pessoa na hora da crise, resulta dos sentimentos, percepções e emoções que estão sendo negadas e marginalizadas pela consciência.
No entanto, esses conteúdos inconscientes que se deslocam para o corpo, pedem passagem “gritando” para serem escutados, conhecidos e confrontados.
E essa é a aposta da psicanálise: “fazer falar” a angústia.(Edázima Aidar é psicanalista formada pela Sociedade Campinense de Psicanalise).  (veja mais)

 
 


 
 

 

 

 
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